Motorista de app e comparsas são denunciados pelo MP por extorsão e roubo contra passageira em Fortaleza

Veja imagem de Matheus Bandeira Fontoura, motorista preso. A foto consta no auto de prisão do caso, ao qual o g1 também teve acesso: Reprodução O Ministéio...

Motorista de app e comparsas são denunciados pelo MP por extorsão e roubo contra passageira em Fortaleza
Motorista de app e comparsas são denunciados pelo MP por extorsão e roubo contra passageira em Fortaleza (Foto: Reprodução)

Veja imagem de Matheus Bandeira Fontoura, motorista preso. A foto consta no auto de prisão do caso, ao qual o g1 também teve acesso: Reprodução O Ministéio Público do Ceará apresentou denúncia à Justiça nesta sexa-feira (24) contra o grupo suspeito de extorquir e roubar uma passageira de carro por aplicativo em Fortaleza. O crime aconteceu no dia 9 de julho, quando a vítima entrou no veículo de aplicativo ao sair de uma casa de shows no Meireles. Ela foi mantida em cárcere privado e roubada pelos criminosos, entre eles, o próprio motorista que realizou a corrida. Cinco pessoas foram presas. Quatro delas, que teriam participado ativamente do crime, seguem detidas e tiveram a prisão preventiva decretada. Diante dos fatos, o Ministério Público denunciou o motorista de aplicativo Matheus Bandeira Fontoura e os comparsas Claudio Natan Barros da Silva, Otavio Joas Martins de Castro e Ana Karolina da Silva Horta por roubo qualificado por concurso de pessoas, extorsão qualificada por privação de liberdade e associação criminosa. Quanto ao delito de tráfico de drogas supostamente praticado por Cláudio e Otávio, flagrados com entorpecentes durante a prisão, o órgão solicitou uma cópia dos autos para envio à Promotoria de Justiça para apuração dos fatos. LEIA TAMBÉM: Suspeitos encapuzaram e ameaçaram esquartejar passageira em carro de app em Fortaleza Motorista de aplicativo planejava sequestrar empresário, médica e enfermeira após fazer passageira como vítima Motorista de aplicativo e comparsas são indiciados por extorsão e roubo contra passageira em Fortaleza Mulher recebeu o dinheiro da vítima Na sequência: Claudio Natan, Ana Karolina, Rayane da Silva e Otavio Joas. Reprodução O Ministério Públicou também analisou a situação de Rayane da Silva Queiroz, que recebeu o dinheiro da conta da vítima e sacou para posterior entrega de parte dos valores obtidos com a prática criminosa. Ela foi solta na Audiência de Custódia. Por ora, o órgão deixou de analisar se a cabe a suspeita um acordo de Não Persecução Penal, por entender que é necessária a quebra do sigilo dos dados telefônicos dos investigados. "Somente após a análise dos elementos obtidos com a referida diligência será possível delimitar a extensão de sua participação nos fatos e reavaliar o preenchimento dos requisitos previstos no art. 28-A do Código do Processo Penal", disse o Ministério Público. Com isso, o MP solicitou a quebra do sigilo telefônico e telemáticos dos aparelhos apreendidos na posse dos quatro denunciados. "Os elementos já coligidos apontam para a atuação conjunta dos denunciados com um indivíduo identificado apenas pela alcunha de "Ezequiel", cuja completa qualificação ainda não foi possível. Nesse contexto, a extração e análise dos dados armazenados nos aparelhos telefônicos poderão possibilitar sua identificação, bem como revelar comunicações, registros de contatos, mensagens, fotografias, arquivos, geolocalizações e demais elementos aptos a demonstrar sua efetiva participação na empreitada criminosa", diz um trecho da denúncia. Privação de liberdade e extorsão Passageira é roubada por motorista de aplicativo e outros suspeitos em Fortaleza O motorista do veículo e outras quatro pessoas foram presos em flagrante pela Polícia Civil poucas horas após o crime. Durante o crime, os suspeitos transferiram R$ 620 da conta da mulher, além de contratarem um empréstimo de R$ 7,5 mil junto ao banco da passageira. Além disso, subtraíram o celular, joias e outros objetos da vítima, que foi ameaçada de ser esquartejada. Segundo a denúncia, a vítima solicitou uma corrida pela plataforma Uber após sair de um estabelecimento na Avenida Desembargador Moreira. Ela embarcou em um automóvel conduzido por Matheus Bandeira Fontoura. Logo após o embarque, o motorista "alterou deliberadamente o percurso da viagem". Ele reduziu a velocidade do carro em um local combinado com comparsas. Nesse momento, dois criminosos entraram no carro. Matheus estava cadastrado como motorista regular da plataforma Uber. Em nota, a empresa disse que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, na forma da lei. "O motorista teve a conta desativada da plataforma. Todas as viagens na Uber são cobertas por um seguro e, em parceria com o MeToo Brasil, a plataforma conta com um canal de suporte psicológico, que foi disponibilizado à vítima". O g1 entrou em contato com os advogados de Matheus Bandeira. Em nota, a defesa disse que "sustenta a absoluta inocência de Matheus Bandeira Fontoura e esclarece que os elementos que demonstram sua ausência de participação criminosa, bem como as circunstâncias que indicam ter ele próprio sido vítima da atuação dos demais envolvidos, serão oportunamente apresentados e produzidos perante o Poder Judiciário, no momento processual adequado". "É importante destacar que Matheus possui 30 anos de idade, é primário, possui bons antecedentes, jamais respondeu a qualquer processo criminal, sempre exerceu atividade lícita e construiu, ao longo de sua vida, uma trajetória pautada pelo trabalho, pelo respeito às leis e por conduta pessoal ilibada", diz o texto. Armados com uma suposta arma de fogo, os assaltantes assumiram o controle do veículo, encapuzaram a passageira e exigiram acesso ao celular e às contas bancárias dela. Na sequência, a mulher foi levada para um imóvel utilizado como cativeiro, onde passou a sofrer ameaças de morte. Enquanto a vítima estava rendida, os criminosos realizaram diversas movimentações financeiras. O grupo fez transferências eletrônicas, contratou empréstimos bancários e utilizou os cartões da passageira. Conforme a Secretaria da Segurança Pública, o grupo foi conduzido para delegacia, onde foi autuado pelos crimes de roubo com restrição de liberdade, extorsão qualificada e associação criminosa. O homem de 21 anos também foi autuado por tráfico de drogas. Na casa, um outro homem, de 27 anos, foi localizado em posse de entorpecentes e também foi autuado por tráfico de drogas. Prisão dos suspeitos Ainda conforme o processo judicial, investigações conduzidas pela Delegacia Antissequestro (DAS) revelaram que parte dos valores roubados foi transferida diretamente para a conta do motorista de aplicativo. Ao ser localizado pela polícia, o motorista confessou a participação no crime. Ele apontou Claudio Natan Barros da Silva, conhecido como "Sorriso", como um dos articuladores do crime. As equipes policiais também localizaram Claudio Natan, Otavio Joas Martins de Castro e Ana Karolina da Silva Horta em uma residência vinculada aos investigados. No local, os agentes recuperaram joias da vítima e apreenderam uma arma falsa, dinheiro em espécie, além de porções de maconha e cerca de 50 gramas de cocaína. A polícia constatou que Ana Karolina ajudou a efetuar os Pix e as movimentações bancárias enquanto a vítima estava no cativeiro. Já Otavio atuou na operacionalização das fraudes financeiras e no tráfico de entorpecentes. Rayane da Silva Queiroz também foi presa por receber parte do dinheiro roubado. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: