Dono de escritório onde Isabelle Caracristi foi estagiária afirma que ela relatou se sentir ‘sufocada’ por dinâmica de trabalho

O que se sabe sobre a morte da estudante Isabelle Caracristi Uma advertência e a mudança no local dos computadores para que Isabelle Caracristi trabalhasse ...

Dono de escritório onde Isabelle Caracristi foi estagiária afirma que ela relatou se sentir ‘sufocada’ por dinâmica de trabalho
Dono de escritório onde Isabelle Caracristi foi estagiária afirma que ela relatou se sentir ‘sufocada’ por dinâmica de trabalho (Foto: Reprodução)

O que se sabe sobre a morte da estudante Isabelle Caracristi Uma advertência e a mudança no local dos computadores para que Isabelle Caracristi trabalhasse com mais distância de João Munhoz foram algumas providências tomadas no escritório onde os dois trabalharam juntos. Conforme o advogado de Rudá Bezerra, dono do escritório, isso aconteceu depois que a estagiária reclamou por se ‘sentir sufocada’ na dinâmica de trabalho. Isabelle foi encontrada morta no último dia 13 de setembro, no bairro Aldeota, em Fortaleza. O caso, encarado como suicídio, levou à prisão do namorado dela, João Munhoz Neto, de 34 anos. A Polícia Civil não descartou nenhuma linha de investigação e analisa se o namorado induziu a jovem a tirar a própria vida. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp De acordo com o advogado Leandro Vasques, que representa Rudá Bezerra, o gestor contou em depoimento à polícia, nesta quarta-feira (23), que Isabelle o procurou para relatar que João Munhoz não permitia que ela realizasse audiências sozinha e não deixava que ela desempenhasse atividades profissionais de forma independente. Nesta ocasião, Isabelle teria afirmado se sentir ‘presa’ e sem desenvoltura para exercer suas funções no escritório, sendo supervisionada por João de forma insistente. Conforme Leandro Vasques, Rudá advertiu João para que ele deixasse com que a estagiária tivesse independência para desenvolver o trabalho. O gestor alertou que demitiria Isabelle caso a situação não mudasse, e João pediu para que esta medida não fosse tomada. Também segundo o advogado, Rudá mudou a localização dos computadores para que os dois não trabalhassem tão próximos fisicamente. Namoro no escritório Isabelle Caracristi e João Munhoz Neto Reprodução O relacionamento amoroso entre Isabelle e João Munhoz era de conhecimento do dono do escritório, de acordo com Leandro Vasques. Os detalhes sobre o período em que a estagiária trabalhou no escritório também foram comunicados à polícia em depoimento. A estagiária foi admitida no escritório de correspondência jurídica em julho de 2026, após participar de uma seleção. João Munhoz não era sócio do escritório e tinha a função de gerir e supervisionar a equipe, sendo responsável também por distribuir atividades para estagiários e funcionários. Ainda conforme o advogado, Isabelle não era estagiária direta de João nem mudou de função enquanto esteve no escritório. Dentre as funções que ela exercia, estavam atividades administrativas e a participação em audiências como preposta — representante de uma empresa em processos. LEIA TAMBÉM: Namorado de jovem achada morta em condomínio foi preso por suspeita de induzi-la ao suicídio e por não colaborar com a investigação Caso Isabelle Caracristi: apartamento foi limpo e colocado à venda e familiares da jovem foram proibidos de entrar no prédio após a morte, diz polícia Entenda em 7 pontos a investigação sobre a morte da jovem que caiu de prédio em Fortaleza Segundo Leandro Vasques, o proprietário do escritório fazia visitas diárias e soube por terceiros sobre o envolvimento amoroso entre João e Isabelle. Ele teria conversado individualmente com cada um, apontando que eles deveriam separar a relação profissional da pessoal. O advogado também relata que Rudá Bezerra sabia que João Munhoz era casado e que recebeu dele o pedido, entre os meses de julho e agosto, para que providenciasse o divórcio com urgência. Rudá conhecia a esposa de João e conversou com ela, recebendo dela uma confirmação sobre a intenção de se divorciar. Isabelle teria deixado o escritório neste mesmo período, tendo solicitado o desligamento no dia 17 de agosto por questões pessoais. Ainda conforme Leandro Vasques, João Munhoz se afastou fisicamente do escritório, trabalhando no regime de home office e alegando problemas de saúde e necessidade de tratamento. Após a saída de Isabelle, João teria pedido algumas vezes para que Rudá readmitisse a estagiária. Em seguida, o bacharel deixou de gerir as atividades no escritório e passou a prestar serviços de forma remota. Ao pedir para trabalhar de casa, ele também afirmou que a mãe estaria com câncer. Prisão de namorado Perícia aponta que Isabelle Caracristi se jogou de prédio A investigação da Polícia Civil concluiu que a morte de Isabelle Caracristi, ocorrida na noite de 13 de setembro, foi motivada por precipitação voluntária (suicídio) do rooftop do prédio localizado no bairro Aldeota. O corpo teve múltiplas lesões com a queda, mas não apresentava sinais de violência. Os investigadores encontraram indícios de violência psicológica e de comportamento controlador por parte de João Munhoz, que teria causado constrangimentos a Isabelle e buscado afastá-la do convívio com outras pessoas. A polícia não informou se são esses indícios que corroboram a suspeita de indução ao suicídio. "Os depoimentos apontam relacionamento abusivo, violência psicológica. Inclusive, isso foi levado em consideração no momento da prisão. As informações prestadas por testemunhas e obtidas também através da investigação da Polícia Civil apontam que o João mantinha ali uma relação de controle, de limitação de ir e vir. Temos depoimentos que afirmam que a Isabelle não podia sequer Ir sozinha na farmácia, descer do escritório", detalhou Márcio Gutiérrez. O inquérito policial continua aberto, com análises do conteúdo de celulares apreendidos e novos depoimentos. Na manhã desta quinta-feira (24), o irmão e a mãe de João Munhoz compareceram à delegacia para prestar esclarecimentos. A advogada de João Munhoz, Lígia Peixe, afirmou, na manhã desta quinta-feira (24), que entrou com pedido de habeas corpus e questiona a legalidade da prisão dele. Mais de 700 vídeos estão sendo analisados pela Polícia Civil. O Delegado-Geral, Márcio Gutiérrez, informou que não há câmeras de segurança no rooftop, mas imagens de outros pontos do prédio e de áreas próximas corroboram a conclusão da investigação sobre a queda. A Polícia ressalta, porém, que outras possibilidades ainda não foram completamente descartadas e que o caso permanece em investigação. A advogada Lígia Peixe, que representa a defesa de João Munhoz, criticou a prisão preventiva, a qual ela disse que a pegou de surpresa. “Ontem ele se apresentou voluntariamente, entregou o celular, eu deixei meus telefones, disse que a hora que precisassem ouvi-lo, ele estaria em qualquer lugar para ser ouvido. Demos o endereço e, de repente, a gente é surpreendido com isso”, comentou. O g1 apurou que o pedido de prisão preventiva teve como base os seguintes artigos do Código Penal: 122, induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou fornecer material para que a vítima provoque ferimento contra si; 147, ameaça. Lígia Peixe disse ainda que, desde a morte, o cliente está fragilizado e sob efeito de remédios, mas não especificou quais medicações. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) informou, em nota, que os "procedimentos de competência do Poder Judiciário relacionados à investigação sobre a morte da estudante Isabelle Caracristi tramitam em segredo de Justiça". Assista aos vídeos mais vistos do Ceará: